PETROBRÁS HOJE, CORSAN AMANHÃ

Certamente você está acompanhando toda essa trapalhada do Presidente do Brasil na questão da Petrobras. Em apenas uma fala, e uma ação, do incauto presidente a estatal perdeu, em dois dias, mais de R$ 100 Bilhões em valor de mercado.

E o preço do combustível?

Bolsonaro joga para a torcida dizendo que vai zerar os impostos federais no diesel e no gás de cozinha. Uma verdade é que, com isto, ele quer jogar a bola no colo dos governadores. Num momento em que, nem a União, tampouco os estados podem abrir mão de receita.

Outra verdade é que ele está preocupado somente com o Diesel, se borrando de medo de uma greve dos caminhoneiros, que foram vitais para sua eleição. O gás de cozinha pode ir a R$ 200,00 que ele pouco se importa.

Mas por que ele quer mexer nos impostos incidentes no preço e não mexe no lucro dos acionistas?

Simples, por que os grandes investidores da Petrobras são a Bolsa de Valores de Nova York e a B3 da Bovespa (A mesma que fez a PPP da Corsan). Ou seja, justamente quem colocou Bolsonaro no poder.

E por que estes investidores não queriam mais os governos que antecederam Temer e Bolsonaro?

De 2011 a 2014, o governo brasileiro ainda subsidiava o preço dos combustíveis. Subsidiava como? Não dando tanto dinheiro aos acionistas. Nestes quatro anos, de acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras utilizou R$ 71,2 bilhões para manter este subsídio e aliviar o bolso da população.

A companhia registrou em 2014 (contabilizando o custo com corrupção) um prejuízo de R$ 21,587 bilhões, contra um lucro de R$ 23,6 bilhões em 2013.

O lucro em 2012 foi de R$ 21,18 bilhões e em 2011 o lucro foi de R$ 33,31 bilhões. Perceba que os acionistas ganhavam, só não ganhavam tanto como agora.

Isso tudo, numa visão de que a Petrobras é pública e, como tal, deve servir ao povo que é o verdadeiro proprietário de uma empresa estatal. Neste formato, em dezembro de 2014, o preço do gás de cozinha era R$ 44,70. Percebam a baixa velocidade de aumento do preço num período maior: Em dezembro de 2002 o preço era: R$ 28,05. Ou seja, foram 12 anos para um reajuste de 62%.

No final de 2016, ano em que o governo foi mudado, entrando Michel Temer no comando, mudando também a política de preço da Petrobras, o preço do botijão era de R$ 55,60.

Com o preço vigente em fevereiro de 2021, podemos dizer que preço levou apenas cinco anos para ter um reajuste de 75%.

Bolsonaro quer mexer somente nos impostos incidentes no preço por que os impostos são usados pelo governo para implementar ações que interessam ao povo. Como este povo está dominado, não haverá maiores repercussões. Em dois meses, como é a proposta de Bolsonaro para zerar os impostos, o povo perderá mais R$ 4,7 bi em arrecadação, com impacto ínfimo sobre o preço final.

Mas, se em vez disto ele mexesse com o lucro dos acionistas, correria sérios riscos.

E a Corsan?

Simples, notável principalmente na pandemia, enquanto empresa eminentemente pública ela ainda consegue fazer uma politica tarifária voltada aos interesses de quem é seu verdadeiro proprietário, que é o povo.

Com capital aberto, ou com PPP, como quer o “General” da Bolsa, Barbuti, a política tarifária da Corsan vai passar a atender os interesses da Aegea, por exemplo, perdendo totalmente seu caráter social, tal qual a Petrobras.

 

Rogério Ferraz

Diretor Divulgação

SINDIÁGUA/RS

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