Fórum Alternativo Mundial da Água 2018: Sindicato reafirma sua defesa pelo saneamento público

Foi encerrado ontem (22) o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama 2018), que teve início no sábado (17) e foi um eventro que fez o contraponto ao 8º Fórum Mundial da Água. Patrocinado por empresas diretamente interessadas em concessões, como a Nestlé e a Coca Cola, entre outras, o fórum oficial, com caráter tecnológico e comercial, tem por objetivo definir o maior bem da humanidade – que é água – como uma simples mercadoria.

Mais de 7 mil trabalhadores do campo, da cidade, das florestas e das águas, de diversos países, participaram do Fama. O SINDIÁGUA se fez presente e – além da participar com dezenas de trabalhadores e trabalhadoras – compôs duas mesas de debate onde pode reafirmar sua defesa pelo saneamento público.

O presidente do Sindicato, Leandro Almeida, apresentou o trabalho feito pelo SINDIÁGUA em seus mais de 30 anos de história, onde a luta contra a privatização tem destaque. Almeida reiterou que o interesse (por parte do governo Temer) em vender o Aquífero Guarani e o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga) para a iniciativa privada já é realidade.

Segundo Leandro, esta luta deve ser de toda a sociedade brasileira, a qual estes dois bens pertencem. Por fim, o presidente ressaltou o trabalho do SINDIÁGUA contra as Parcerias Público-Privadas, as quais o Sindicato entende como uma privatização disfarçada. Neste sentido, Leandro falou da denúncia realizada pelo SINDIÁGUA sobre a perda de recursos do PAC-OGU pela atual direção da Corsan.

Representante da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), o secretário-geral do SINDIÁGUA, Arilson Wunsch, em outra mesa de trabalho, falou sobre a importância de os representantes de entidades ligadas ao tema da água em conversar com a população sobre os mais variados aspectos, desde o consumo racional até os riscos que a privatização pode acarretar. Para ele, essa mobilização e formação constantes precisam ser realizadas com eficiência.

Arilson também frisou que a FNU está reconstruindo a Frente Nacional do Saneamento Ambiental e anunciou a criação do Observatório Nacional do Saneamento, com a finalidade de realizar estudos que apontem em soluções para os problemas do setor, que serão fundamentais para o enfrentamento ao processo de mercantilização da água, a privatização do saneamento e a garantia a esses direitos para toda a população do país.

Durante o evento, foi entregue à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, um documento em que os participantes do Fama consolidam suas lutas e se posicionam contra a Medida Provisória, proposta do Temer, que busca facilitar a privatização do saneamento. Dodge salientou que “o Ministério Público brasileiro acolhe a pretensão da sociedade civil, além de comungar com o mesmo raciocínio e visão de que a água é direito humano fundamental”.

Em seis dias, o Fama 2018 realizou mais de 200 palestras, debates, seminários, painéis, atividades autogestionadas e assembleias. Organizado por 37 entidades ligadas aos povos e comunidades tradicionais, indígenas, camponeses, mulheres, religiosos, movimentos sindicais e ambientais, Ongs e comitês criados nos estados para o encontro. Participaram ainda mais de 170 representantes internacionais, de países dos cinco continentes.

O Fama 2018 reafirmou as lutas em defesa das águas, que não são e nem podem ser transformadas em mercadoria, apropriadas, exploradas e destruídas para lucratividade dos negócios.

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