Aegea não avança na negociação do ACT e ainda ameaça retirar direitos
Mais uma rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 dos trabalhadores da Aegea/Corsan terminou sem avanços e com preocupação da categoria diante da tentativa de retirada de direitos. A reunião aconteceu na tarde desta quarta-feira, 27 de maio, na sede do SINDIÁGUA/RS.
Durante o encontro, a empresa rejeitou diversas propostas de cláusulas sociais aprovadas pela Assembleia Geral dos Trabalhadores, frustrando a expectativa de avanços nas negociações.
Em relação às cláusulas econômicas, a proposta apresentada pela Aegea limitou-se à reposição integral da inflação pelo INPC do período, que ficou em 4,11%, sem qualquer ganho real nos salários. O piso salarial teria reajuste de 4,5%, passando para R$ 1.980,28. Já o vale-alimentação seria reajustado em 5%, chegando a R$ 1.028,45, garantindo pequeno ganho real apenas nesses dois itens.
Sobre a jornada de trabalho, a empresa segue irredutível na defesa da manutenção das 44 horas semanais. O SINDIÁGUA/RS reafirmou a proposta aprovada pela categoria em Assembleia Geral, que defende a redução da jornada para 40 horas semanais. O sindicato também destacou que tramita na Câmara Federal um projeto que prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas em todo o país.
Para o presidente do SINDIÁGUA/RS, Arilson Wunsch, a proposta apresentada pela empresa está muito distante das necessidades da categoria.
“A proposta está muito aquém das expectativas dos trabalhadores. A empresa precisa decidir o que quer no Rio Grande do Sul. Se realmente deseja fazer saneamento de qualidade, terá que qualificar sua equipe e, principalmente, valorizar os trabalhadores. Mas, se enxergar apenas um negócio, continuará enfrentando dificuldades para manter equipes. Os trabalhadores têm família e, tão logo recebem proposta melhor, acabam saindo em busca de quem pague mais. A situação vivida hoje dentro da empresa é difícil: muita pressão, cobranças e, ao final do mês, trabalhadores recebendo contracheques líquidos em torno de mil reais. Isso dói”, afirmou.
O SINDIÁGUA/RS seguirá analisando a proposta apresentada pela empresa e uma nova rodada de negociação deverá ser marcada nos próximos dias, na tentativa de avançar nas pautas e garantir melhores condições de trabalho, salário e qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras da Aegea/Corsan.
RELATO DA COMISSÃO DE NEGOCIAÇÃO
A negociação foi acompanhada pela Comissão eleita pelos trabalhadores na Assembleia Geral, formada por Juliano Beppler, Cláudia Cabreira, Marcelo Noronha e Rangel Kurz. Segue o relato independente da Comissão sobre a reunião. “Sob a perspectiva desta comissão de acompanhamento, o cenário atual não é apenas de impasse técnico, mas de profunda preocupação com os rumos que a empresa vem escolhendo tomar.
Ao longo das rodadas de conversa, temos observado uma postura patronal que se mostra irredutível em diversas cláusulas sociais essenciais. Para nós, que estamos na base ouvindo os trabalhadores, essas cláusulas não são meras linhas em um papel ou exigências acessórias: elas representam a segurança, a saúde e a dignidade do trabalhador no seu ambiente de trabalho. A inflexibilidade da empresa em avançar nesses pontos sociais demonstra uma desconexão preocupante com a realidade do chão de fábrica e das operações. Por isso, endossamos e reforçamos a posição do Sindiágua: destas garantias sociais, nós não abriremos mão.
Somado à rigidez no campo social, o pacote financeiro apresentado até aqui é, no mínimo, frustrante. As propostas financeiras são claramente insatisfatórias, oferecendo um ganho real irrisório que mal cobre as perdas inflacionárias acumuladas, além de apresentar um avanço quase nulo no salário-base da categoria. Tratar a remuneração dos trabalhadores com esse nível de limitação é desvalorizar o esforço diário de profissionais que garantem um serviço essencial à população.
Esta comissão segue firme no propósito de fiscalizar, relatar e apoiar a luta por um acordo digno. Não aceitaremos que a busca por metas financeiras da empresa seja feita às custas do achatamento salarial e do retrocesso social. O caminho para um desfecho pacífico e produtivo exige sensibilidade da gestão para apresentar propostas que de fato valorizem quem trabalha. Seguimos atentos, mobilizados e ao lado do sindicato na defesa intransigente dos nossos direitos.”

