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Não existe desenvolvimento econômico e nem futuro sem preservação do Meio Ambiente

 

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, somos chamados a refletir sobre uma realidade que se impõe de forma cada vez mais evidente: a crise ambiental deixou de ser uma preocupação do futuro para se tornar um desafio do presente.

As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, as secas prolongadas, as ondas de calor extremas e os eventos climáticos cada vez mais frequentes demonstram que as mudanças climáticas já impactam diretamente a vida das pessoas, a economia e os serviços essenciais. Diante desse cenário, discutir a preservação ambiental significa discutir a própria sobrevivência das futuras gerações.

Entre todos os recursos naturais ameaçados, a água ocupa um lugar central. Sem água não existe produção agrícola, não existe indústria, não existe energia, não existe desenvolvimento. Tampouco existe saúde pública, qualidade de vida ou dignidade humana.

Por isso, é preocupante observar que, ao mesmo tempo em que a sociedade reconhece a importância dos recursos hídricos, aumenta a pressão sobre rios, arroios, aquíferos e mananciais. Grandes empreendimentos econômicos são apresentados como sinônimo de progresso, mas muitas vezes seus impactos ambientais são minimizados ou tratados como obstáculos burocráticos a serem superados.

O Rio Grande do Sul vive hoje um intenso debate sobre a expansão da indústria da celulose e de grandes empreendimentos tecnológicos, como os centros de processamento de dados e estruturas ligadas à economia digital. São setores importantes para a geração de riqueza e empregos, mas que demandam enorme consumo de água, energia e recursos naturais.

O problema não está na atividade econômica em si. O problema surge quando o crescimento é planejado sem considerar os limites ambientais e a capacidade dos ecossistemas de suportar essa pressão. Não é possível repetir a lógica do passado, baseada na exploração ilimitada dos recursos naturais, como se fossem infinitos.

A falsa escolha entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico precisa ser superada. O verdadeiro desenvolvimento é aquele que gera riqueza sem destruir as condições que permitem sua própria existência. Não há prosperidade possível em rios contaminados, em mananciais esgotados ou em cidades vulneráveis a eventos climáticos extremos.

Nesse contexto, o saneamento público e a gestão responsável dos recursos hídricos assumem papel estratégico. Investir em proteção de nascentes, tratamento de esgoto, combate às perdas de água, recuperação de bacias hidrográficas e planejamento ambiental não é custo. É investimento em segurança hídrica, saúde pública e desenvolvimento sustentável.

Os trabalhadores e trabalhadoras do saneamento conhecem essa realidade como poucos. São eles que atuam diariamente para garantir que a água chegue às residências, às escolas, aos hospitais e às atividades produtivas. Também são eles que testemunham os impactos da degradação ambiental sobre os sistemas de abastecimento e sobre a população.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, é necessário reafirmar que  a água é um bem essencial à vida e  não pode ser tratada apenas como mercadoria. Ela é  um patrimônio coletivo que precisa ser protegido.

O futuro que queremos construir exige coragem para enfrentar interesses imediatos e assumir compromissos de longo prazo. Exige planejamento, responsabilidade ambiental e políticas públicas que coloquem a preservação dos recursos naturais no centro das decisões.

Porque não existe economia sem meio ambiente. Não existe desenvolvimento sem água. E não haverá futuro se continuarmos tratando a preservação ambiental como um tema secundário.

 

Arilson Wünsch
Presidente do SINDIÁGUA/RS