Água pública: convicção ou reeleição (por Arilson Wünsch)

Eduardo Leite abriu os cofres aos prefeitos acenando com obras de todos os tipos para que assinem autorização para privatizar a Corsan

 

O governador Eduardo Leite está pressionando os municípios a assinarem um aditivo para apressar a privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). O governo abriu os cofres aos prefeitos acenando com obras de todos os tipos e até ameaçou tirar dinheiro da saúde para que assinem a autorização para privatizar a companhia. Uma verdadeira corrida para comprar a outorga com dinheiro da população e entregar para a iniciativa privada. O prazo dado para os gestores municipais aderirem expira nesta quinta-feira, 16.

Sempre alertamos que a privatização da estatal nunca foi para cumprir o Marco Regulatório, mas para entregar os serviços de água e esgoto para os parceiros do mercado financeiro. Não é por acaso que nos últimos dois anos, o governo estadual gastou quase R$ 300 milhões nas Parcerias Público Privadas (PPP’s) da Região Metropolitana com as metas para 2030 e, novamente gasta em torno de R$ 1 bilhão de dinheiro público com os mesmos prefeitos para assinarem o aditivo.

Há perguntas importantes para o interesse público: algum prefeito assinou por convicção de melhorar o saneamento ou em troca de algo que garantirá sua reeleição em 2024? Deputados, governo, prefeitos e vereadores em condutas oportunistas tratando com água, direito social e humano, um bem fundamental que jamais poderia ser tratada como mercadoria. Quem responderá por isso?

Uma vez mais a política do toma lá dá cá se explicita. Em práticas como estas, não se pensa na sociedade, mas sim no futuro político de cada um dos envolvidos. A história cobrará caro por essa entrega. Se o governador tivesse canalizado esse dinheiro do Estado para saneamento não precisaria privatizar para “angariar” investimentos privados, que sequer são privados, visto que normalmente são feitos com dinheiro procedente de fontes públicas, como o BNDES.

Sempre dissemos e repetimos: a Corsan não precisa de privatização, mas de gestão voltada para o saneamento e não para beneficiar especuladores privados. Essa é a prática do governo que está aí e suas posturas sobre o patrimônio dos gaúchos serão lembradas.

Exaltamos os que de forma altruísta e cidadã não se entregaram para o canto da sereia do Governo. Colocam o interesse público acima das vaidades políticas e disseram não a esse absurdo. Nem todos são contrários às privatizações, mas entenderam que é mais seguro para os municípios e a população ter o saneamento sob controle público. A garantia de uma consciência tranquila caso esta tentativa de privatização avance.

Em 20 anos, mais de 300 cidades em 36 países reestatizaram o tratamento de água e esgoto após piora no serviço e preços abusivos. Há muita água para passar embaixo desta ponte. E essa água deve ser pública!

 

(*) Presidente do Sindiágua

 

 

 

 

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